Quéchua para viajantes em Cusco: palavras e frases úteis

O que é, quantas pessoas falam, como se escreve e se pronuncia, e frases úteis para a viagem

Conferido com fontes oficiais
Quéchua para viajantes: palavras e frases úteis em Cusco. Allinllachu · Añay · Runa simi

O essencial

  • O quéchua é uma família de línguas andinas falada em sete países; em Cusco se fala a variedade Cusco-Collao do quéchua sulino.
  • Nos Censos de 2017, 3.735.682 pessoas de 5 anos ou mais, 13,9% dessa população, aprenderam a falar em quéchua.
  • É língua oficial onde predomina, segundo o artigo 48 da Constituição e a Lei 29735 de línguas originárias.
  • O alfabeto oficial usa três vogais (Qusqu) e a Academia Mayor de la Lengua Quechua, cinco (Qosqo); as duas grafias soam igual.
  • Obrigado se diz añay ou sullpayki, olá se diz allinllachu e até logo, tupananchiskama.
  • As consoantes glotalizadas (com apóstrofo) e aspiradas (com h) mudam o significado: t’anta é “pão” e thanta, “trapo”.
Neste guia
  1. O que é o quéchua
  2. Quantas pessoas falam quéchua
  3. O quéchua é língua oficial do Peru?
  4. Por que o quéchua é escrito de tantas formas
  5. Como se pronuncia o quéchua
  6. Palavras e frases úteis em quéchua
  7. Topônimos de Cusco e o que significam
  8. Onde você vai ouvir quéchua em Cusco
  9. Como aprender quéchua e usá-lo com respeito
  10. Resumo: o quéchua na sua viagem a Cusco

O quéchua é uma família de línguas originária dos Andes e a língua indígena mais falada do Peru: nos Censos Nacionais de 2017, 3.735.682 pessoas de 5 anos ou mais, 13,9% dessa população, disseram ter aprendido a falar em quéchua. Em Cusco se fala a variedade Cusco-Collao do quéchua sulino. Para o viajante, bastam poucas palavras: allinllachu para cumprimentar, añay ou sullpayki para agradecer e tupananchiskama para se despedir.

Aqui em Cusco nós o ouvimos todos os dias: nos mercados, nas festas e nas comunidades do Vale Sagrado e das terras altas. Neste guia explicamos o que é, onde se fala, como se escreve e se pronuncia e quais frases vão ser úteis, com palavras tiradas de materiais oficiais. O papel da língua no Tahuantinsuyo está no guia de história e cultura inca.

O que é o quéchua

O quéchua não é uma única língua, mas uma família de línguas aparentadas. Segundo a Base de Dados de Povos Indígenas ou Originários (BDPI) do Ministério da Cultura do Peru, suas variedades são faladas em sete países da América do Sul: Peru, Equador, Colômbia, Bolívia, Argentina, Chile e Brasil.

Seus falantes o chamam de runa simi ou qhichwa simi. No glossário da Direção Desconcentrada de Cultura de Cusco, runa significa “pessoa, gente” e simi, “boca”. Nos materiais oficiais, simi também é usado para “língua”: mama simi é a língua materna.

As variedades do quéchua no Peru

A classificação clássica do linguista Alfredo Torero, de 1964, distingue o quéchua I, no centro do Peru, e o quéchua II, no norte e no sul. O Ministério da Educação do Peru usa desde 2013 quatro ramos, cada um com seu próprio manual oficial de escrita:

  • Sulino: o chanka, de Huancavelica, Ayacucho e Apurímac, e o collao, de parte de Apurímac, Cusco, Puno, Arequipa e Moquegua. A BDPI considera os dois vitais.
  • Central: em Áncash, Huánuco, Pasco, Junín, La Libertad e na serra de Lima, com várias variedades em perigo.
  • Nortenho: em Cajamarca, Lambayeque e Piura.
  • Amazônico: o kichwa de Loreto, San Martín, Madre de Dios e Amazonas.

O quéchua de Cusco: Cusco-Collao

A variedade de Cusco é a mesma de Puno e de parte de Apurímac. Sua característica mais marcante são duas séries de consoantes que outras variedades, como o chanka de Ayacucho, não têm: as aspiradas e as glotalizadas. A BDPI explica que esses sons vêm do contato antigo com o aimará, a língua que o quéchua substituiu em boa parte dos Andes do sul.

Quantas pessoas falam quéchua

O dado mais citado vem dos Censos Nacionais de 2017 do INEI, o instituto de estatística do Peru. Segundo a língua que aprenderam na infância, 13,9% da população de 5 anos ou mais, ou seja, 3.735.682 pessoas, aprendeu a falar em quéchua; 82,6% aprenderam em espanhol e 1,7%, em aimará. A ficha da BDPI traz um número um pouco maior: 3.805.531 pessoas.

Língua não é o mesmo que identidade. No mesmo censo, 22,3% da população de 12 anos ou mais, 5.176.809 pessoas, se autoidentificou como quéchua: há mais pessoas que se reconhecem quéchuas do que pessoas que aprenderam a língua na infância.

Segundo a BDPI, no início do século XX cerca de 60% da população peruana falava quéchua; no início do XXI, perto de 15%. Mesmo assim, em números absolutos há mais falantes hoje do que em 1876, e pelo menos um terço vive em áreas urbanas.

O quéchua na região de Cusco

Segundo os Censos Nacionais de 2025, cujos primeiros resultados o Ministério da Cultura divulgou em julho de 2026, a região de Cusco tem 773.130 falantes de línguas indígenas ou originárias, 14,9% do total nacional. Em muitas comunidades rurais, o quéchua é a língua do dia a dia.

O quéchua é língua oficial do Peru?

Sim, nas regiões onde predomina. O artigo 48 da Constituição peruana diz que o espanhol é idioma oficial e que, “nas zonas onde predominem”, também são o quéchua, o aimará e as demais línguas aborígenes, segundo a lei. O quéchua já tinha sido oficializado pelo Decreto-Lei 21156, de 27 de maio de 1975, como lembra um relatório técnico publicado pelo Ministério da Educação.

A norma que regulamenta esse artigo é a Lei 29735, publicada no diário oficial El Peruano em 5 de julho de 2011. Três de seus pontos explicam o que você vai ver em Cusco:

  • Direitos: toda pessoa pode usar sua língua originária no âmbito público e no privado, e ser atendida em sua língua materna nas instituições do Estado (artigo 4).
  • Oficialidade: as línguas originárias são oficiais onde predominam, segundo o Registro Nacional de Línguas Originárias (artigo 9), e ali a administração deve lhes dar o mesmo valor jurídico que ao espanhol (artigo 10).
  • Escrita: o Ministério da Educação define as regras de escrita uniforme (artigo 21).

A lei aparece nos serviços públicos. Em julho de 2026, o Ministério da Cultura certificou 224 servidores públicos bilíngues da região de Cusco; com eles, já são 3.322 em todo o país, em quéchua Cusco-Collao, quéchua chanka e aimará. A BDPI registra ainda 205 intérpretes e tradutores de quéchua.

Por que o quéchua é escrito de tantas formas

Cusco, Qosqo e Qusqu. Sacsayhuamán e Saqsaywaman. Huayna Picchu e Wayna Picchu. Não é erro: convivem três tradições de escrita.

  1. A grafia espanhola. Durante séculos, os nomes quéchuas foram escritos com a ortografia do espanhol: “hua” para o som wa, ou “cc” e “c” para sons que o espanhol não tem. Muitos topônimos oficiais e placas turísticas a mantêm.
  2. O alfabeto oficial. O Ministério da Educação aprovou o alfabeto do quéchua e do aimará em novembro de 1985, com a Resolução Ministerial 1218-85-ED, e em 2013 uma resolução diretoral fixou o uso de três vogais: a, i, u. É o alfabeto da educação intercultural bilíngue e do manual de escrita do quéchua sulino (Ministério da Educação, 2021). Com ele se escreve Qusqu, como no glossário da Cultura Cusco.
  3. A escrita da Academia. A Academia Mayor de la Lengua Quechua (Academia Maior da Língua Quéchua) defende cinco vogais, no que chama de “qheswa imperial del Qosqo”, o quéchua imperial de Cusco: Qosqo, Saqsaywaman. Em 2016, a Ordenança Regional 115-2016-CR/CRC do Governo Regional de Cusco reconheceu esse quéchua de cinco vogais para a escrita na região.

Três vogais ou cinco: o debate em poucas palavras

O quéchua tem sons parecidos com o e e o o do português, mas eles só aparecem junto às consoantes q, qh e q’, e às vezes perto do r. Para quem defende o sistema de três vogais, são variantes do i e do u, e não vogais diferentes: por isso escrevem qusqu, embora soe “qosqo”. É a conclusão de um relatório técnico do Departamento de Linguística da Universidad Nacional de San Antonio Abad del Cusco (UNSAAC), publicado pelo Ministério da Educação em 2021. A Academia defende que cada som deve ter sua letra. Para o viajante, tanto faz: suqta e soqta, “seis”, soam igual.

Dica: se você procurar um lugar num mapa ou na internet e não encontrar, tente outras grafias: com hua ou wa, com e e o ou com i e u, com c, cc, k ou q. Qenqo e Q’enqo, ou Sacsayhuamán e Saqsaywaman, são o mesmo lugar.

Como se pronuncia o quéchua

Você não precisa pronunciar perfeitamente: qualquer tentativa é bem recebida. Estas dicas vão ajudar a ler as palavras deste guia.

Vogais e acento

  • a, i, u soam como em português.
  • Junto a q, qh e q’, o i se abre para um e e o u para um o: qusqu soa “qosqo”, e wiraqucha, “senhor”, soa “wiraqocha”.
  • O acento cai quase sempre na penúltima sílaba. Uma exceção frequente é arí, “sim”: o glossário da Cultura Cusco avisa que é oxítona.

Consoantes que o português não tem

  • q: pronunciado mais atrás que o k, no fundo da boca, quase na garganta.
  • Aspiradas (ph, th, chh, kh, qh): a consoante é seguida de um sopro de ar. O qh vira um som raspado, parecido com o r carioca de “carro”: qhatu, “mercado”.
  • Glotalizadas (p’, t’, ch’, k’, q’): fecha-se a garganta e o ar sai de uma vez, com um pequeno estalo: p’unchay, “dia”, ou q’eswa, “corda”.
  • w soa como o u de “água”; o h é aspirado, como no inglês “house”; o ll soa como lh e o ñ, como nh. O ch soa “tch”.

Essas consoantes mudam o significado. No dicionário da Academia, tanta é “reunião”, thanta é “trapo” e t’anta é “pão”. E kancha é um espaço cercado, enquanto k’ancha é “luz”. Preste sempre atenção ao apóstrofo e ao h.

Palavras e frases úteis em quéchua

Estas frases estão em quéchua Cusco-Collao e vêm de dois glossários oficiais: o do Ministério da Cultura para o atendimento ao público, de 2025, e o da Direção Desconcentrada de Cultura de Cusco. Algumas palavras vêm do dicionário da Academia. A pronúncia é aproximada; a sílaba em maiúsculas é a tônica.

PortuguêsQuéchuaPronúncia aproximada
Olá, tudo bem?¡Allinllachu!a-lhin-LHA-tchu
Como vai?¿Imaynallan kachkanki?i-mai-na-LHAN katch-KAN-ki
Tudo bemAllinllan kachkania-lhin-LHAN katch-KA-ni
Bom diaAllin p’unchayA-lhin P’UN-tchai
Boa tardeAllin sukhaA-lhin SU-kha
Boa noiteAllin tutaA-lhin TU-ta
Obrigado / ObrigadaAñay / SullpaykiA-nhai / sulh-PAI-ki
Muito obrigadoAñaychayki askhataa-nhai-TCHAI-ki as-KHA-ta
Até logoTupananchiskamatu-pa-nan-tchis-KA-ma
Até amanhãPaqarinkamapa-qa-rin-KA-ma
Como você se chama?¿Iman sutiyki?I-man su-TII-ki
Meu nome é…Ñuqaq sutiyqa…NHO-qaq su-TII-qa
Sim / NãoArí / Manama-RI / MA-nam
Com licença / DesculpePampachaykuwaypam-pa-tchai-ku-UAI
Senhor / SenhoraWiraqucha / Mamaui-ra-QO-tcha / MA-ma
Quanto?¿Hayk’a?HAI-k’a
ÁguaUnu / YakuU-nu / IA-ku
Pão / Chicha (bebida de milho)T’anta / AqhaT’AN-ta / A-qha
Milho / Sal / PimentaSara / Kachi / UchuSA-ra / KA-tchi / U-tchu
MercadoQhatuQHA-tu
Casa / Povoado / CaminhoWasi / Llaqta / ÑanUA-si / LHAQ-ta / nhan
Morro / Lagoa / RioUrqu / Qucha / MayuUR-qo / QO-tcha / MA-iu
Sol / LuaInti / KillaIN-ti / KI-lha

Há pequenas diferenças entre as fontes, como há entre os povoados: o glossário nacional escreve ¿Imam sutiyki? e Ñuqap sutiyqa, e o de Cusco, ¿Iman sutiyki? e Ñuqaq sutiyqa. As duas formas são entendidas.

Obrigado em quéchua: añay, sullpayki e yusullpay

O glossário da Cultura Cusco registra quatro formas de dizer “muito obrigado”: sullpay, yusullpay, añay e sullpayki. O glossário nacional do Ministério da Cultura traduz “obrigado” por añay, e o dicionário da Academia define añay como “obrigado, agradecimento, gratidão”.

Na internet você vai ver muitas vezes sulpayki, com um l só: é a mesma palavra com outra grafia. Para agradecer algo concreto usa-se o verbo añaychay: añaychayki askhata, “agradeço muito a você”, é o exemplo da Academia. Com añay ou sullpayki você vai ser entendido em toda Cusco.

Olá, tudo bem e tchau

O quéchua não tem um “olá” exato: o normal é perguntar como a pessoa está. ¡Allinllachu! funciona como cumprimento, e o glossário da Cultura Cusco o traduz assim: “¡Allinllachu Parwa!”, “Olá, Parwa!”. Se disserem isso a você, responda allinllan kachkani, “tudo bem”. Para se despedir, tupananchiskama é “até logo” (o glossário nacional escreve tupananchikkama), e paqarinkama, “até amanhã”.

Com pessoas mais velhas, use wiraqucha ou tayta para “senhor” e mama para “senhora”. O quéchua distingue irmãos e irmãs conforme quem fala: um homem chama a irmã de pana e uma mulher, de ñaña; uma mulher chama o irmão de tura e um homem, de wawqi. Com a terminação -y, “meu, minha”, essas palavras viram um cumprimento carinhoso, como no glossário do Ministério da Cultura: allin p’unchay, panay, “bom dia, irmã”.

Números de 1 a 10

Nos mercados você vai ser atendido em espanhol, mas os números em quéchua são um bom exercício. A tabela compara a grafia oficial de três vogais, a do glossário da Cultura Cusco, com a de cinco vogais do dicionário da Academia.

NúmeroAlfabeto oficialGrafia da AcademiaPronúncia aproximada
1hukhukhuk (h aspirado)
2iskayiskayIS-kai
3kimsakinsaKIM-sa
4tawatawaTA-ua
5pichqapisqaPITCH-qa
6suqtasoqtaSOQ-ta
7qanchisqanchisQAN-tchis
8pusaqpusaqPU-saq
9isqunisqonIS-qon
10chunkachunkaTCHUN-ka

Não mudam só as vogais: kimsa e kinsa, ou pichqa e pisqa, também refletem jeitos de falar de regiões diferentes. As dezenas se formam com chunka: iskay chunka é vinte, e pachak, cem.

Topônimos de Cusco e o que significam

Damos apenas os significados registrados no dicionário da Academia e nos glossários oficiais. Sobre o próprio nome de Cusco circulam várias interpretações, e não damos nenhuma como certa.

  • Machu Picchu e Huayna Picchu: machu é “velho” e wayna, “jovem”. A Academia traduz Machupikchu como “cume ou pico velho” e Waynapikchu como “morro ou pico jovem”. Mais no guia de Huayna Picchu.
  • Q’eswachaka: q’eswa é uma corda torcida de fibra vegetal e chaka, “ponte”: é a ponte de corda que quatro comunidades quéchuas renovam todo ano. Tudo sobre ela no guia da ponte Q’eswachaka.
  • Qorikancha: qori é “ouro” e kancha, um espaço cercado; a Academia o traduz como “bairro cercado de ouro”. Visite-o com o guia do Qorikancha.
  • Q’enqo: segundo a Academia, significa “zigue-zague”. Fica no parque arqueológico de Sacsayhuamán; mais no guia de Qenqo.
  • Sacsayhuamán: waman é “falcão”. A Academia explica o nome como “cabeça eriçada de falcão”, embora não seja a única leitura que circula. Mais no guia de Sacsayhuamán.
  • Qoyllurit’i: rit’i é “neve”, e a Academia traduz o nome do santuário como “neve de estrelas”.
  • Willkamayu: o nome quéchua do rio Vilcanota, “rio sagrado” segundo a Academia; mayu é “rio”.
  • Ausangate: Awsanqati em quéchua, a grande montanha nevada a sudeste da cidade, é um dos apus, os espíritos protetores que habitam os cumes. Mais no guia do Ausangate.
  • Inti Raymi: inti é “sol” e raymi, “festa de grande solenidade”.

Onde você vai ouvir quéchua em Cusco

  • Mercados: entre vendedoras e compradores que chegam das províncias. É o melhor lugar para ouvir o quéchua do dia a dia e estrear suas primeiras palavras. O que provar lá está no guia de comida típica de Cusco.
  • Comunidades rurais: no Vale Sagrado, nas terras altas e nas rotas de trekking, o quéchua é a língua de casa de muitos arrieiros, cozinheiros e tecelãs.
  • Festas: nas danças, nos cantos e nas oferendas dos povoados. As datas de cada uma estão no calendário de festas de Cusco.
  • Qoyllurit’i: a peregrinação ao santuário, no vale de Sinakara, começa 58 dias depois do Domingo de Páscoa. Segundo a UNESCO, que a inscreveu em 2011 na lista do patrimônio cultural imaterial, ela reúne cerca de 90.000 pessoas dos arredores de Cusco, organizadas em oito “nações”.
  • Televisão e rádio: em 12 de dezembro de 2016, a TV Perú estreou o Ñuqanchik, “nós”, o primeiro telejornal em quéchua da televisão pública, transmitido também pela Radio Nacional. Começou de segunda a sexta às 5h30 da manhã; como o horário mudou, confira a programação da TV Perú.
  • A caminho do lago Titicaca: em Puno você vai ouvir quéchua e também aimará; o glossário do Ministério da Cultura para os serviços do lago usa as duas línguas. Se for seguir viagem, leia o guia do lago Titicaca saindo de Cusco.

Como aprender quéchua e usá-lo com respeito

Um allinllachu ao entrar numa loja ou um añay ao se despedir costuma arrancar um sorriso. Para usá-lo bem:

  1. Cumprimente antes de tudo, em espanhol ou em quéchua, antes de perguntar, comprar ou fotografar.
  2. Use as formas de respeito: wiraqucha, tayta ou mama com as pessoas mais velhas.
  3. Não o trate como espetáculo: é uma língua viva, de milhões de pessoas, no campo e na cidade.
  4. Aceite as correções e pergunte como se diz algo “aqui”: as palavras mudam de um povoado para outro.

Importante: falar quéchua é um direito reconhecido pela Lei 29735, não uma curiosidade turística. Peça permissão antes de fotografar as pessoas, inclusive quem posa com lhamas ou alpacas no centro, e não grave cerimônias nem oferendas sem autorização.

Para aprender por conta própria, o repositório do Ministério da Educação oferece de graça o manual de escrita do quéchua sulino, e o glossário básico da Cultura Cusco traz vocabulário, cumprimentos e diálogos. Para cursos, pergunte pela oferta atual na Academia Mayor de la Lengua Quechua e na UNSAAC.

A Academia Mayor de la Lengua Quechua

É a instituição de Cusco dedicada ao quéchua e uma referência na cidade. Sua obra mais conhecida é o Diccionario Quechua-Español-Quechua, ou Simi Taqe, cuja segunda edição, de 2005, foi publicada pelo Governo Regional de Cusco. Ele inclui muitos topônimos e sítios arqueológicos da região, úteis para entender os nomes que você vai encontrar.

A Academia defende a escrita com cinco vogais, posição que não é compartilhada pelo Ministério da Educação nem pelo relatório da UNSAAC. No prefácio do dicionário, o Governo Regional lembra que uma ordenança regional de 2003 declarou o 8 de novembro Dia do Idioma Quéchua na região.

Resumo: o quéchua na sua viagem a Cusco

  • O que é: uma família de línguas andinas falada em sete países. Em Cusco se fala a variedade Cusco-Collao do quéchua sulino.
  • Quantos falam: 3.735.682 pessoas de 5 anos ou mais aprenderam a falar em quéchua, 13,9% dessa população, segundo os Censos de 2017.
  • Status: é oficial onde predomina, segundo a Constituição e a Lei 29735.
  • Escrita: o alfabeto oficial usa três vogais (Qusqu) e a Academia, cinco (Qosqo). Soam igual.
  • Pronúncia: preste atenção ao q profundo, às aspiradas com h e às glotalizadas com apóstrofo.
  • Para começar: allinllachu (olá), añay ou sullpayki (obrigado), arí (sim), manam (não) e tupananchiskama (até logo).
  • Onde ouvir: mercados, comunidades, festas, Qoyllurit’i e o telejornal Ñuqanchik.
  • Com respeito: cumprimente primeiro, peça permissão para as fotos e aceite as correções.

Perguntas frequentes

O que é o quéchua?

É uma família de línguas originária dos Andes, falada no Peru, Equador, Colômbia, Bolívia, Argentina, Chile e Brasil. É a língua indígena mais falada do Peru, e seus falantes a chamam de runa simi ou qhichwa simi.

Como se diz obrigado em quéchua?

Em Cusco se diz añay ou sullpayki; o glossário da Cultura Cusco registra também sullpay e yusullpay. Para “muito obrigado”, a Academia Mayor de la Lengua Quechua dá o exemplo añaychayki askhata.

Como se diz olá em quéchua?

Não existe um “olá” exato: as pessoas se cumprimentam perguntando como o outro está, com ¡allinllachu! A resposta habitual é allinllan kachkani, “tudo bem”.

Quantas pessoas falam quéchua no Peru?

Segundo os Censos Nacionais de 2017 do INEI, 3.735.682 pessoas de 5 anos ou mais aprenderam a falar em quéchua, 13,9% dessa população. Na região de Cusco, os Censos de 2025 contam 773.130 falantes de línguas indígenas ou originárias.

O quéchua é língua oficial do Peru?

Sim, nas zonas onde predomina, segundo o artigo 48 da Constituição. A Lei 29735, de 2011, regula seu uso e reconhece o direito de ser atendido na língua materna nas instituições do Estado.

Que quéchua se fala em Cusco?

O quéchua Cusco-Collao, uma variedade do quéchua sulino que também é falada em Puno e em parte de Apurímac. Ele se destaca pelas consoantes aspiradas e glotalizadas.

Escreve-se Cusco, Qosqo ou Qusqu?

Cusco é a forma espanhola e a mais usada. Qusqu segue o alfabeto oficial de três vogais do Ministério da Educação, e Qosqo, a grafia de cinco vogais defendida pela Academia Mayor de la Lengua Quechua.

O quéchua tem três ou cinco vogais?

O alfabeto oficial e um relatório técnico da UNSAAC publicado pelo Ministério da Educação em 2021 sustentam que tem três vogais, a, i e u, e que o e e o o são apenas variantes junto a q, qh e q’. A Academia Mayor de la Lengua Quechua defende cinco.

O que significa o apóstrofo nas palavras quéchuas?

Marca uma consoante glotalizada, pronunciada fechando a garganta e soltando o ar de uma vez, como em p’unchay, “dia”. Ele muda o significado: t’anta é “pão” e tanta, “reunião”.

Quais são os números de 1 a 10 em quéchua?

No alfabeto oficial: huk, iskay, kimsa, tawa, pichqa, suqta, qanchis, pusaq, isqun e chunka. No dicionário da Academia aparecem kinsa, pisqa, soqta e isqon.

O que significa Machu Picchu em quéchua?

Machu significa “velho”. O dicionário da Academia Mayor de la Lengua Quechua traduz Machupikchu como “cume ou pico velho”, e Waynapikchu, o Huayna Picchu, como “morro ou pico jovem”.

Onde se pode aprender quéchua em Cusco?

Pergunte pelos cursos atuais na Academia Mayor de la Lengua Quechua e na UNSAAC. Para começar por conta própria, o Ministério da Educação oferece de graça seu manual de escrita do quéchua sulino, e a Cultura Cusco, um glossário básico.

Fontes oficiais

CuscoPonte Q’eswachakaSacsayhuamánQorikancha

Paul Pumalloclla

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